Correio literário · Crônicas

Devaneios do dia a dia

Um olhar sobre o cotidiano, com pitadas de humor, afeto e um toque de absurdo. 42 correspondências até agora.

CrônicaNº 42

De zero a dez

Comprei um parafuso de quarenta centavos e no dia seguinte me pediram para avaliar a experiência. Uma crônica ácida sobre o mundo que virou uma pesquisa de satisfação sem fim, onde tudo, até a consulta que deu ruim, termina com uma carinha de zero a dez.

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CrônicaNº 41

Queria que o meu time jogasse sujo

A Argentina faz cera, joga no limite do desleal e, acima de tudo, se recusa a perder. Mais uma virada, mais uma final. Uma crônica-confissão sobre admirar essa fome, envergonhar-se de um Brasil morno e desconectado, e ter orgulho do meu Athletico, o time mais argentino entre os brasileiros.

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CrônicaNº 40

Eu, minha esposa e as cheerleaders de Dallas

Sou homem, hetero, e um documentário sobre as cheerleaders dos Dallas Cowboys não foi feito para mim. Mesmo assim assisti tudo, no sofá com a minha esposa, torcendo como quem torce em final de campeonato. Uma crônica sobre gostar, sem pedir licença, daquilo que a gente jurava que não ia gostar.

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CrônicaNº 39

O áudio de três minutos

São sete da manhã e a barrinha cinza avança devagar, sem pedir licença. Três minutos e doze segundos de alguém que preferiu falar a escrever. Uma crônica ácida (e meio culpada) sobre quem manda áudio e sobre a gente, que ouve.

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CrônicaNº 38

O aplauso que doeu

Sou brasileiro e torço pelo Brasil. Mas tenho um cantinho do peito que bate pela Argentina, herança de família e de um tio muito especial. Quando eles viraram o jogo contra o Egito, eu aplaudi. E doeu, de saudade e de vergonha da nossa seleção.

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CrônicaNº 37

A correspondência recomeça

O último texto por aqui foi em outubro. Nove meses depois, o Cotidiamenidades volta, e volta de cara nova. Uma carta sobre sumir, reconstruir do zero e o gosto teimoso de recomeçar.

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CrônicaNº 36

A sacola das sacolas

Toda casa tem uma. Aquela sacola cheia de outras sacolas, guardada num canto do armário, esperando um dia que quase nunca chega. Uma crônica sobre pequenas economias, heranças invisíveis e o carinho que cabe num saco plástico.

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CrônicaNº 35

Obrigado, Noruega

O Brasil caiu na Copa, eliminado pela Noruega, e o país amanheceu de luto. Eu amanheci diferente. Uma crônica ácida (e agradecida) sobre a derrota de ontem, o alívio de hoje, e o fim de uma era que custou a acabar.

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CrônicaNº 34

A impressora que nunca queria ser configurada

Cabo conectado, drivers instalados, manual na mão. Nada funciona. Configurar impressora nunca foi técnica: sempre foi ritual.

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CrônicaNº 33

O computador que sempre escolhia a pior hora para se atualizar

O prazo apertava, o e-mail era urgente, a reunião já tinha começado. E o computador decidiu se atualizar. Uma crônica absurda sobre barras de progresso e crueldade digital.

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CrônicaNº 32

A mudança que mudou de ideia

Caixas, fitas e caos. A mudança sempre esconde o que importa e embala com carinho o que ninguém precisa. Uma crônica absurda sobre o ritual cansativo de trocar de endereço.

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CrônicaNº 31

O violino que sonhava em ser rockstar

O violino se infiltrou numa banda de hardcore para realizar o sonho de ser rockstar. Mas a sonoridade não batia. Uma crônica absurda sobre instrumentos deslocados e ruídos desajustados.

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CrônicaNº 30

A dor nas costas que virou atração principal

Era para ser um festival de música. Mas quem brilhou mesmo foi a dor nas costas, que virou headliner, roubou a cena e fez o público pensar em cadeira de praia.

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CrônicaNº 29

A tela que nunca ficava satisfeita

O pintor tentava pintar, mas a tela sempre mudava de ideia. As cores se moviam, as formas se desfaziam. Uma crônica absurda sobre arte, caos e telas insatisfeitas.

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CrônicaNº 28

O despertador que se achava motivador

Trocar o som do despertador parecia uma boa ideia, até ele começar a agir como coach de vida. Uma crônica absurda sobre manhãs, motivação indevida e a luta para não acordar otimista demais.

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CrônicaNº 27

Texto sobre nada

Tem dias em que a inspiração simplesmente não aparece. E tudo bem. Uma crônica pessoal sobre escrever, travar e aceitar que o nada também rende história.

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CrônicaNº 26

A impressora que se recusava a imprimir más notícias

Tudo começou com uma rescisão que não saiu do papel. Literalmente. Uma crônica absurda sobre uma impressora que decidiu não compactuar mais com más notícias no ambiente de trabalho

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CrônicaNº 25

A torradeira que fazia terapia

Tudo parecia normal, até que a torrada saiu queimada e o café ficou com gosto de abandono. Uma crônica absurda (ou nem tanto) sobre eletrodomésticos cansados e a necessidade universal de cuidado.

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CrônicaNº 24

O gato que trabalhava em home office

Era só mais um pet no home office, até que começou a organizar planilhas, participar de reuniões e virar o funcionário mais eficiente da empresa. Uma crônica absurda (e quase real) sobre produtividade, bichos e videoconferências.

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CrônicaNº 23

A senhora que fazia jantares para pessoas imaginárias

Uma senhora põe a mesa toda semana para quem só ela vê. Fantasmas, versões antigas, amores passados. Talvez solidão, talvez lucidez. Uma crônica sobre presença e afeto no vazio.

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CrônicaNº 22

O bairro onde todo mundo falava ‘bom dia’ mas ninguém se conhecia

Todo mundo dizia bom dia, ninguém sabia o nome de ninguém. Uma crônica sobre um bairro educado demais pra ser real.

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CrônicaNº 21

A moça que mudava de personalidade toda vez que trocava de senha

Trocar de senha virou um estilo de vida. E ela que o diga: a cada nova combinação, surgia uma nova personalidade. Uma crônica tragicômica sobre identidade e colapso digital.

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CrônicaNº 20

O homem que tentou seguir todas as metas no mesmo dia

Tentou cumprir todas as metas possíveis em um único dia. Teve suco detox, yoga, curso online e pix pra ONG. Terminou chorando no chuveiro com um panetone vencido.

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CrônicaNº 19

O elevador que só subia quando elogiado

Um elevador que só sobe quando elogiado vira o centro da convivência num prédio onde ninguém se falava. Entre espelhos e frases gentis, a vaidade virou método de transporte.

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CrônicaNº 18

Reflexões na fila de um hospital público

Crônica de Evandro Ferreira Florscuk sobre uma manhã de exames no hospital público onde se trata há 17 anos. Um relato humano, sensível e necessário.

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CrônicaNº 17

A mulher que transformou o TOC em religião

Uma mulher com transtorno obsessivo-compulsivo acaba transformando suas manias em rituais diários. Sem querer, funda uma religião baseada na repetição, simetria e controle absoluto.

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CrônicaNº 16

O cara que colecionava pedidos de desculpa

A crônica retrata um personagem que transforma o ato de desculpar em um hábito metódico de arquivamento. Ele não perdoa nem confronta: apenas coleciona. De cadernos a e-mails, constrói um museu afetivo das dores que recebeu. Até o dia em que, sem esquecer, decide parar de guardar.

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CrônicaNº 15

Made in Gene

Num futuro onde todos nascem por inseminação, jovens brasileiros exigem cidadania com base em pais biológicos do Canadá, Suécia e Islândia. Uma crônica absurdamente sarcástica sobre imigração, genética e o colapso do bom senso.

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CrônicaNº 14

O rapaz que virou a própria boçalidade

Era só um cara meio metido. Mas um dia, a boçalidade dele cresceu tanto que passou a andar sozinha. A personalidade virou sombra. E ele, figurante. Uma crônica cômica e exagerada sobre o ego que infla, se solta e começa a falar por você.

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CrônicaNº 13

A consulta que arrancou mais do que um dente

Ele só queria tratar uma cárie. Saiu com metade da cara dormente, três boletos e uma nova fobia. Uma crônica absurda e sarcástica sobre consultas dentárias que arrancam mais que dentes.

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CrônicaNº 12

Tudo que é sólido desmancha no ar

A frase “tudo que é sólido desmancha no ar” ganhou forma literal quando o sofá do narrador sumiu. Depois foi a geladeira, a estante, uma tia. Em meio à instabilidade da vida moderna, o absurdo vai se acumulando até sobrar apenas o café, e a escrita. Uma crônica cômica, irônica e surreal sobre aquilo que insiste em evaporar.

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CrônicaNº 11

A garota que decidiu parar o tempo com fita crepe

Cansada das ordens da rotina, ela colou fita crepe no ponteiro do relógio. E o tempo parou. Tudo congelou: broncas, cachorros, leite fervendo e até os passarinhos. Mas parar o tempo também significa ficar sozinha nele. Uma crônica divertida e sensível sobre a vontade de estagnar o mundo e o valor das coisas que seguem.

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CrônicaNº 10

Desde 1987

Jean nasceu em uma madrugada gelada de junho em Curitiba e passou parte da vida tentando decifrar a cidade. Morou em Brisbane, morou no Rio, reaprendeu a viver sob outros céus. Mas um dia voltou. E descobriu que talvez nunca tivesse realmente saído. Uma crônica afetuosa, absurda e cheia de silêncios sobre reencontros com o lugar que sempre esteve ali, mesmo quando a gente não estava.

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CrônicaNº 09

A mulher que enviava cartas para o futuro

Ela escrevia cartas destinadas ao futuro: “Abrir quando esquecer quem é”, “Abrir em 2041”. E, um dia, o futuro respondeu. A troca de correspondência virou hábito até que o silêncio chegou. Então, ela percebeu: talvez fosse sua vez de ser o futuro de alguém. Uma crônica sobre memória, tempo, afeto e os absurdos bonitos que a vida pode inventar.

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CrônicaNº 08

A vizinha que conversava com os pombos

Dona Lurdes falava com pombos todas as manhãs. Reclamava como quem cobra taxa de condomínio. Até que, um dia, um deles respondeu. A partir daí, os pombos se organizaram: viraram entregadores, políticos e líderes de movimentos. Mas quando sumiram, restou o silêncio. E a vizinha… que agora conversa com fios elétricos. Uma crônica bem-humorada sobre escuta, absurdo e caos urbano.

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CrônicaNº 07

O homem que atendeu um trote de 1997

Um homem começa a receber trotes de madrugada. Até aí, tudo bem. O problema é que a voz do outro lado da linha é a dele mesmo aos 11 anos. Conforme as ligações se repetem, o absurdo cresce, o passado retorna e uma verdade esquecida bate à porta, ou melhor, toca o telefone. Uma crônica sobre infância, saudade e a ligação inevitável com quem a gente foi.

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CrônicaNº 06

O relógio que se adiantava só para atrapalhar

Ele nunca se atrasava. Mas seu relógio vivia se adiantando sozinho. Dez minutos, depois trinta, depois dias. Começou a chegar antes dos compromissos existirem. Uma crônica sobre viver fora do tempo, e ainda rir disso pra não surtar.

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CrônicaNº 05

O homem que procurava sabe-se lá o quê

Ele não queria mais procurar, mas também não sabia como parar. Seguiu em busca de respostas, mas encontrou bugigangas emocionais, pedras silenciosas e promessas de sucesso em 6 passos. Uma crônica absurda sobre os vazios que a gente insiste em encher.

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CrônicaNº 04

A casa onde ainda moro

Ele voltou à antiga casa, achando que ia encarar só lembranças. Mas encontrou paredes ofendidas, tomadas julgadoras e o sofá ainda carregando mágoas. Uma crônica sobre o peso do passado com pitadas de humor e ironia.

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CrônicaNº 03

Sobre o homem que parou de piscar

Ele só queria mudar de vida e escolheu parar de piscar. O que era uma decisão pessoal virou moda, depois culto, depois problema nacional. Uma crônica sobre o absurdo da transformação em massa (e o preço de uma piscadela).

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CrônicaNº 02

A fila que crescia para dentro

Começou como uma fila comum de mercado. Mas com o tempo, virou cidade, depois país, depois casa. As pessoas passaram a viver ali, esqueceram o que vieram buscar e criaram uma nova sociedade, até que alguém saiu… e não entendeu mais o mundo real. Uma crônica sobre o absurdo de se acostumar com a espera.

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CrônicaNº 01

Café sem açúcar e verdades sem filtro

Numa padaria qualquer, o café começou a ser servido sem açúcar, mas com verdades. Goles amargos que revelavam o que ninguém queria ouvir, mas talvez precisasse. Uma crônica sobre a doçura que a gente usa pra esconder o óbvio.

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