Correspondência Nº 96 · Remetente: Jean Guimarães

Querido leitor,

O extraordinário mora no detalhe.

Cotidiamenidades é meu convite pra reparar no que ninguém vê. Crônicas, resenhas e fragmentos do cotidiano com pitadas de humor, afeto e um toque de delírio cotidiano.

Com afeto, Jean.


Resenhas · Diário de leitura

Livros que li e o que ficou

Impressões honestas sobre leituras, do clássico ao achado de sebo.

Resenha

“As Meninas”, de Lygia Fagundes Telles

Um livro cansativo e confuso de propósito, e é justamente aí que ele diz o que veio dizer. Três mulheres dividindo um quarto em plena ditadura, cada uma com uma saída diferente para o mesmo país, e nenhuma das três funcionando. O subtexto é a parte mais impressionante: num tempo em que não se podia dizer, a Lygia escreveu o não dito. Cansa, sim. Mas eu não teria entendido se não tivesse cansado.

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Resenha

“Mistborn: O Império Final”, de Brandon Sanderson

Cheguei por indicação e saí convertido. Fazia tempo que uma fantasia não me pegava assim, tirando os clássicos. O mundo é ótimo, cinza caindo do céu e um império de mil anos, mas o que prende de verdade é a magia com regra: o Sanderson te entrega o manual e depois ganha você usando ele melhor do que você imaginava. Perde nas frases, que são só funcionais, e nos bailes, que arrastam. Ganha em tudo o mais.

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Resenha

“2001: Uma Odisseia no Espaço”, de Arthur C. Clarke

Cheguei no 2001 pelo caminho mais comum: gosto de ficção científica e esse é O livro. Saí dele com muito respeito e quase nenhuma intimidade. Não é um livro de frase difícil, o Clarke escreve limpo, mas é um livro que não te dá onde se segurar: os personagens são funções, a narração explica tudo como um manual técnico e o final abre mão de qualquer chão. O HAL 9000 salva o meio. No fim, um clássico que eu reconheço e que decididamente não foi feito pra mim.

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Sobre · O Cotidiamenidades

Leia com calma

Cotidiamenidades é um convite diário à atenção. À pausa. Ao detalhe. À beleza escondida no ordinário. É um projeto literário que transforma o cotidiano em crônica e a rotina em narrativa.

Aqui, o extraordinário mora no detalhe.

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