Correspondência Nº 92 · Remetente: Jean Guimarães
Querido leitor,
O extraordinário mora no detalhe.
Cotidiamenidades é meu convite pra reparar no que ninguém vê. Crônicas, resenhas e fragmentos do cotidiano com pitadas de humor, afeto e um toque de delírio cotidiano.
Com afeto, Jean.
Últimas correspondências
Um olhar sobre o cotidiano, com pitadas de humor, afeto e um toque de absurdo.
O dia que não passava
Tem dia de trabalho que evapora e ninguém sabe explicar como. E tem dia em que você faz mil coisas, olha o relógio e são três e quarenta e sete. De novo.
A padaria dos que não dormem
Tem uma padaria que só abre de madrugada, para quem o sono abandonou. Não está em mapa nenhum, não passa cartão, e fecha quando o céu clareia. Uma crônica sobre a insônia, a hora mais honesta da noite e a companhia silenciosa de quem também não conseguiu dormir.
De zero a dez
Comprei um parafuso de quarenta centavos e no dia seguinte me pediram para avaliar a experiência. Uma crônica ácida sobre o mundo que virou uma pesquisa de satisfação sem fim, onde tudo, até a consulta que deu ruim, termina com uma carinha de zero a dez.
Livros que li e o que ficou
Impressões honestas sobre leituras, do clássico ao achado de sebo.
“2001: Uma Odisseia no Espaço”, de Arthur C. Clarke
Cheguei no 2001 pelo caminho mais comum: gosto de ficção científica e esse é O livro. Saí dele com muito respeito e quase nenhuma intimidade. Não é um livro de frase difícil, o Clarke escreve limpo, mas é um livro que não te dá onde se segurar: os personagens são funções, a narração explica tudo como um manual técnico e o final abre mão de qualquer chão. O HAL 9000 salva o meio. No fim, um clássico que eu reconheço e que decididamente não foi feito pra mim.
“Aos Pés da Letra”, de Gregorio Duvivier
Fui atrás dele depois de ver a peça, e fui com um pé atrás, porque livro que nasce de espetáculo costuma ser souvenir. Esse não é. O Gregorio pega palavras que a gente diz mil vezes por dia, vira elas do avesso e mostra a coisa esquisita e linda que estava ali o tempo todo. Leitura rápida, fácil, divertidíssima, e daquelas que deixam a gente insuportável na mesa do bar. Entrega exatamente o que promete, e promete bem.
“Até Mais, e Obrigado Pelos Peixes”, de Douglas Adams
Quarto livro do Mochileiro das Galáxias e, até agora, o que menos me pegou. Arthur Dent volta para uma Terra que simplesmente voltou a existir e o livro vira uma história de amor. Adams continua engraçado, mas aqui o absurdo perdeu a engenharia que fazia os outros funcionarem: as coisas acontecem porque sim. Salva-se pela reta final e por uma despedida que dá nó na garganta.
Leia com calma
Cotidiamenidades é um convite diário à atenção. À pausa. Ao detalhe. À beleza escondida no ordinário. É um projeto literário que transforma o cotidiano em crônica e a rotina em narrativa.
Aqui, o extraordinário mora no detalhe.
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