Correspondência Nº 94 · Remetente: Jean Guimarães
Querido leitor,
O extraordinário mora no detalhe.
Cotidiamenidades é meu convite pra reparar no que ninguém vê. Crônicas, resenhas e fragmentos do cotidiano com pitadas de humor, afeto e um toque de delírio cotidiano.
Com afeto, Jean.
Últimas correspondências
Um olhar sobre o cotidiano, com pitadas de humor, afeto e um toque de absurdo.
O tempo da febre
Doente, o dia deixa de ter horas e passa a ter doses. Sobre as ocasiões em que o tempo muda de tamanho sem avisar, e sobre o que ele cobra por isso.
O dia que não passava
Tem dia de trabalho que evapora e ninguém sabe explicar como. E tem dia em que você faz mil coisas, olha o relógio e são três e quarenta e sete. De novo.
A padaria dos que não dormem
Tem uma padaria que só abre de madrugada, para quem o sono abandonou. Não está em mapa nenhum, não passa cartão, e fecha quando o céu clareia. Uma crônica sobre a insônia, a hora mais honesta da noite e a companhia silenciosa de quem também não conseguiu dormir.
Livros que li e o que ficou
Impressões honestas sobre leituras, do clássico ao achado de sebo.
“Mistborn: O Império Final”, de Brandon Sanderson
Cheguei por indicação e saí convertido. Fazia tempo que uma fantasia não me pegava assim, tirando os clássicos. O mundo é ótimo, cinza caindo do céu e um império de mil anos, mas o que prende de verdade é a magia com regra: o Sanderson te entrega o manual e depois ganha você usando ele melhor do que você imaginava. Perde nas frases, que são só funcionais, e nos bailes, que arrastam. Ganha em tudo o mais.
“2001: Uma Odisseia no Espaço”, de Arthur C. Clarke
Cheguei no 2001 pelo caminho mais comum: gosto de ficção científica e esse é O livro. Saí dele com muito respeito e quase nenhuma intimidade. Não é um livro de frase difícil, o Clarke escreve limpo, mas é um livro que não te dá onde se segurar: os personagens são funções, a narração explica tudo como um manual técnico e o final abre mão de qualquer chão. O HAL 9000 salva o meio. No fim, um clássico que eu reconheço e que decididamente não foi feito pra mim.
“Aos Pés da Letra”, de Gregorio Duvivier
Fui atrás dele depois de ver a peça, e fui com um pé atrás, porque livro que nasce de espetáculo costuma ser souvenir. Esse não é. O Gregorio pega palavras que a gente diz mil vezes por dia, vira elas do avesso e mostra a coisa esquisita e linda que estava ali o tempo todo. Leitura rápida, fácil, divertidíssima, e daquelas que deixam a gente insuportável na mesa do bar. Entrega exatamente o que promete, e promete bem.
Leia com calma
Cotidiamenidades é um convite diário à atenção. À pausa. Ao detalhe. À beleza escondida no ordinário. É um projeto literário que transforma o cotidiano em crônica e a rotina em narrativa.
Aqui, o extraordinário mora no detalhe.
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