Livros que li e o que ficou
Impressões honestas sobre leituras, do clássico ao achado de sebo.
“Duna”, de Frank Herbert
Cheguei ao clássico pelo caminho do cinema e fui parar na fonte. Duna é um universo inteiro dentro de um livro: política, religião, deserto e profecia. Denso, às vezes cansativo, mas fascinante. Uma ficção científica que exige paciência e recompensa quem tem.
“Oração para Desaparecer”, de Socorro Acioli
Uma mulher sem memória, quatro vidas que se cruzam no tempo e um mistério que não larga a gente. Socorro Acioli mistura o sertão do Ceará com o sobrenatural e entrega um dos livros que mais me prenderam nos últimos tempos. Realismo mágico brasileiro do melhor tipo, e nota cheia.
“Coraline”, de Neil Gaiman
Coraline, de Neil Gaiman, é um conto sombrio e arrepiado que transforma o familiar em assustador. Uma fábula curta e memorável, que fala com leitores de qualquer idade.
“O Cavaleiro dos Sete Reinos”, de George R. R. Martin
O Cavaleiro dos Sete Reinos, de George R. R. Martin, é um retorno mais leve a Westeros. Com Dunk e Egg, o autor mostra um lado menos épico e mais humano do universo, em histórias de amizade, torneios e azar. Um bom aperitivo entre batalhas e dragões.
“Planeta dos Macacos”, de Pierre Boulle
O Planeta dos Macacos, de Pierre Boulle, é um clássico da ficção científica que vai muito além do cinema. Ágil, irônico e reflexivo, usa a inversão de papéis entre macacos e humanos para criticar poder, preconceito e arrogância científica. Uma leitura curta, mas marcante.
“O Alienista”, de Machado de Assis
O Alienista, de Machado de Assis, é um clássico curto e irônico que permanece atual. Uma crítica social sobre poder e loucura, escrita com humor e genialidade. Uma obra que vale muito mais na releitura adulta do que como obrigação escolar.
“O Caçador Cibernético da Rua 13”, de Fábio Kabral
O Caçador Cibernético da Rua 13, de Fábio Kabral, é uma ficção científica brasileira que mistura ação, identidade e representatividade em um universo afrofuturista original e envolvente. Uma leitura que diverte e faz pensar.
“A História Sem Fim”, de Michael Ende
A História Sem Fim, de Michael Ende, é muito mais do que fantasia para crianças. Apesar de estar na prateleira infantojuvenil, o livro traz mensagens profundas sobre coragem, identidade e imaginação, que são absurdamente atuais. É uma obra que pode ser lida em qualquer idade e que surpreende por sua relevância e capacidade de fazer refletir.
“A República do Dragão”, de R. F. Kuang
A República do Dragão, de R. F. Kuang, é a sequência de A Guerra da Papoula e consegue superar o primeiro livro. Com um ritmo mais equilibrado e contextos políticos mais bem explorados, a narrativa se torna mais envolvente. Os personagens secundários brilham e a trama cresce em escala, com alianças e traições bem construídas. Uma leitura divertida e com mais substância que o início da saga.
“Intermezzo”, de Sally Rooney
Intermezzo, de Sally Rooney, é um drama que chegou cercado de elogios, mas não me conquistou. A história de dois irmãos enfrentando crises pessoais até tem potencial, mas se arrasta em diálogos repetitivos e conflitos superficiais. A prosa é simples, o ritmo lento, e algumas cenas desnecessárias quebram ainda mais o clima. Não é um livro ruim, mas ficou longe da intensidade prometida pelo hype.
“Memórias de um Sargento de Milícias” de Manuel Antônio de Almeida
Memórias de um Sargento de Milícias, de Manuel Antônio de Almeida, é um clássico da literatura brasileira que muitos conheceram por obrigação escolar. Mas reler essa obra com maturidade mostra seu humor, crítica e genialidade. Uma narrativa cheia de ironia que continua atual, divertida e necessária.
“Solitária” de Eliane Alves Cruz
Resenha do livro Solitária, de Eliane Alves Cruz. Um romance sensível sobre duas mulheres negras que passaram a vida servindo à mesma família, entre afetos contidos e ecos de um passado escravocrata que ainda insiste em existir. Uma leitura firme, delicada e essencial.
“Live and Let Die” de Ian Fleming
O segundo livro da saga James Bond entrega uma trama eletrizante e cenas marcantes. Mas escorrega feio em questões éticas. Repleto de estereótipos racistas e machistas, Viva e Deixe Morrer mostra como certos clássicos não resistem ao tempo. Uma leitura divertida, mas que exige um olhar crítico.
“Cassino Royale” de Ian Fleming
Em Cassino Royale, Ian Fleming apresenta o James Bond original: falho, intenso e humano. Nada de glamour exagerado. Apenas tensão, espionagem e um jogo que decide o destino. Uma leitura curta e poderosa, com final amargo e personagens marcantes.
“O Peso do Pássaro Morto” de Aline Bei
A tristeza escrita com poesia. O peso do pássaro morto é um livro curto, mas profundo. Aline Bei transforma o que não se fala em literatura. Uma leitura triste, delicada e absurdamente bonita.
“Eu, Tituba. Bruxa Negra de Salem”, de Maryse Condé
Maryse Condé dá carne, voz e espírito a uma personagem apagada da história oficial. “Eu, Tituba. Bruxa Negra de Salem” é um livro que dói, pulsa e transforma. Uma leitura que mistura revolta e lirismo com sensibilidade rara.
“Morte e Vida Severina”, de João Cabral de Melo Neto
Morte e Vida Severina é um poema dramático sobre a jornada de um retirante nordestino em busca de vida. Escrito por João Cabral de Melo Neto, o livro denuncia a violência da pobreza e a morte cotidiana no Brasil, mas também reserva um espaço para a esperança. Uma obra clássica, precisa e ainda dolorosamente atual.
“A Guerra da Papoula”, de R. F. Kuang.
Uma fantasia interessante com bons momentos, mas longe do épico que prometem. “A Guerra da Papoula” tem ritmo instável e protagonistas questionáveis, mas acerta ao criar personagens secundários marcantes. Boa leitura para quem gosta de batalhas e conflitos internos, mas vá com calma nas expectativas.
“O Sol é Para Todos”, de Harper Lee.
Em O Sol é Para Todos, Harper Lee entrega um clássico atemporal sobre racismo, empatia e justiça. Narrado por uma criança, o livro emociona e provoca reflexões profundas. Com personagens marcantes e um enredo sensível, a obra segue como leitura essencial nos dias de hoje.
“O homem invisível”, de H. G. Wells
Leitura de O homem invisível, de H. G. Wells, deixou mais perguntas do que empolgação. A proposta é boa, mas a história demora a engatar e termina sem brilho. Clássico importante, mas não funcionou tão bem pra mim.
“Violeta”, de Isabel Allende
Violeta, de Isabel Allende, é uma carta cheia de memórias, dores e afetos. Com sua narrativa sensível, a autora entrega uma vida marcada por perdas e resistências silenciosas. Triste, mas profundamente bonito.
“A Mão Esquerda da Escuridão”, de Ursula K. Le Guin
Ursula K. Le Guin não escreveu apenas uma ficção científica. Ela criou um espelho distorcido da nossa realidade, onde a ausência de gênero escancara nossos próprios limites culturais. A história de Genly Ai em Gethen é dura, lenta em alguns momentos, mas absurdamente poética e reveladora. Mais do que um clássico do gênero, é um convite para repensar o que chamamos de humano.
“Febre de Bola”, de Nick Hornby
Febre de Bola é um livro sobre torcer como quem respira. Nick Hornby escreve com humor, dor e sinceridade sobre sua paixão pelo Arsenal e como o futebol se tornou o eixo de sua vida. Uma leitura leve, pessoal e poderosa para qualquer torcedor que já sentiu o peito apertar num jogo decisivo.
“As Crônicas de Gelo e Fogo, Livro 5: A Dança dos Dragões”, de George R. R. Martin
O livro é denso, político e cheio de construção narrativa. Um dos melhores da saga. E depois dele, fica impossível aceitar o final apressado da HBO.
“Matéria Escura”, de Blake Crouch
Um livro que mistura ficção científica com dilemas existenciais. Matéria Escura é acessível e te faz pensar em tudo que poderia ter sido.
“A cidade do sol”, de Khaled Hosseini
Triste, bonito e essencial. A cidade do sol emociona ao narrar a vida de duas mulheres afegãs em meio ao caos e à violência, revelando a força da amizade e da esperança.
“A Invenção de Morel”, de Adolfo Bioy Casares
Uma história breve e brilhante sobre solidão, tecnologia e o desejo de ser eterno. Leitura essencial da ficção latino-americana.
“Um homem chamado Ove”, de Fredrik Backman
Um romance leve e cheio de ternura sobre um velho ranzinza, um gato folgado e vizinhos que não sabem bater à porta. Não é genial, mas é um abraço de livro.
“Um Defeito de Cor”, de Ana Maria Gonçalves
Um livro que te revira por dentro. Um Defeito de Cor é necessário, urgente e profundo. Leitura obrigatória para todo brasileiro.
“A Cabeça do Santo”, de Socorro Acioli
Fé torta, solidão falante e vozes misteriosas. Um livro sobre ausências que gritam mais do que presença.
“As Crônicas de Gelo e Fogo, Livro 4: O Festim dos Corvos”, de George R. R. Martin
O quarto volume da série desacelera o ritmo e mergulha na política de Westeros. Sem grandes nomes da saga, é leitura mais densa e lenta.
“As Crônicas de Gelo e Fogo, Livro 3: A Tormenta de Espadas”, de George R. R. Martin
Terceiro volume da saga mergulha no caos absoluto. Com cenas marcantes e personagens em evolução, é o livro mais intenso até agora.
“As Crônicas de Gelo e Fogo, Livro 2: A Fúria dos Reis”, de George R. R. Martin
Segundo volume da saga traz mais política, tensão e personagens em conflito. Uma leitura densa, caótica e envolvente.
“As Crônicas de Gelo e Fogo, Livro 1: A Guerra dos Tronos”, de George R. R. Martin
Mais denso, mais sujo, mais dolorido. O livro revela camadas que a série deixou pra trás. Mesmo assim, ainda vale cada página.
“Forrest Gump”, de Winston Groom
Muito além do “ingênuo bonzinho” do cinema, o livro entrega um Forrest mais ácido, crítico e surpreendente.
“O Som e a Fúria”, de William Faulkner
Um livro caótico, triste e brilhante. Leitura difícil, mas que faz sentir (mesmo quando a gente não entende tudo).
“O Homem Bicentenário”, de Isaac Asimov
Um conto sobre humanidade, escolhas e a sensibilidade de um robô que queria sentir. Leitura rápida e emocionante.
“Moby Dick”, de Herman Melville
Não é só sobre caçar baleia. É sobre obsessão, destino e tudo o que nos escapa. Um clássico que pesa e provoca.
“A volta ao mundo em 80 dias”, de Júlio Verne
Uma aventura pelo mundo com precisão britânica e humor francês. Leitura leve, divertida e cheia de reviravoltas.
“Quincas Borba”, de Machado de Assis
Machado com ironia, tragédia e um cachorro que rouba a cena. Uma leitura que só revela sua genialidade quando a gente cresce.
“O Capote e outras histórias”, de Nikolai Gógol
Contos absurdos, irônicos e geniais. Gógol ri do mundo, mas de canto de olho.
“Eu, Robô”, de Isaac Asimov
Robôs, dilemas e humanidade. Asimov entrega um clássico leve, acessível e ainda atual.
