A correspondência recomeça
06 de julho de 2026

Sobre nove meses de silêncio, uma casa nova, e a vontade de escrever de novo
Faz tempo. O último texto que publiquei aqui foi em outubro do ano passado. De lá pra cá o mundo deu voltas, eu dei outras tantas, e este cantinho ficou parado, juntando poeira digital enquanto a vida acontecia lá fora.
Não vou inventar desculpa bonita. A verdade é simples: a vida apertou, a vontade de escrever se escondeu num canto, e eu deixei o Cotidiamenidades em silêncio. Um silêncio que durou nove meses. Tempo de gestação, dizem por aí. Talvez tenha sido isso mesmo.
Porque hoje eu volto. E não volto igual.
O Cotidiamenidades está de cara nova. Refiz tudo, do zero, tijolo por tijolo. Larguei o endereço velho e engessado e construí uma casa nova, mais leve, mais minha. E a ideia que guiou cada detalhe foi uma só: correspondência. Papel, tinta, o gesto antigo de escrever uma carta para alguém e torcer para que ela chegue. É assim que eu quero conversar com você daqui pra frente. Como quem escreve uma carta, não como quem publica um post.
Mudou a cor. Mudou a letra. Mudou o jeito. Mas o que importa continua no lugar: crônicas sobre as pequenas bobagens do dia a dia, resenhas dos livros que me atravessam, e essa conversa, aqui, entre nós dois.
E tem mais uma mudança, talvez a mais importante: a correspondência volta a ser semanal. Vou escrever toda semana, sem sumir de novo, ou com a menor quantidade de sumiços que a vida permitir. Umas cartas vão te fazer rir. Outras talvez cutuquem. Outras vão ser só um respiro no meio da semana. Todas vão ser escritas pensando em você do outro lado, lendo.
“Toda casa nova cheira a recomeço. Esta aqui cheira a papel.”
Obrigado por ter chegado até aqui, mesmo depois de tanto tempo de porta fechada. Pega uma cadeira, serve um café. A correspondência recomeça agora, e dessa vez eu não pretendo mais sumir.
